segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sobre dúvidas e negações


   Todos os dias é preciso duvidar daquilo que tenho como certo e que tem-se enraizado dentro em mim. Isto, afinal de contas, não deixa de ser um tipo de auto-negação. Uma maneira de zombar, olhando para o espelho de minha alma ou de nossa suposta sabedoria. Pois nesse dias de informações na velocidade da luz e de mentiras e boatos que se passam por verdades é muito fácil e confortável flertar com uma verdade que não é verdade, com uma mentira vestida de verdade, com um boato transmutado em algo real. Resta a cada dia, diante do espelho da alma, pôr em cheque cada verdade, cada ideia, cada fundamento, cada conceito e filosofia, peneirar por assim dizer, e aproveitar, se é que isto é possível, o que há de proveitoso em nossa jornada rumo ao conhecimento. 
  Este tipo de receio interior por aquilo que achamos ser verdadeiro ou correto, este ceticismo de nós mesmos, esta constante suspeita de nossas habilidades intelectuais é acima de tudo um negar-se contínuo que ofende nosso ego, que entristece nosso eu mas que liberta, desafoga nossa alma para o novo, o novo que desagua fatalmente em Cristo. Quando duvido que sou sábio, então Cristo se faz sabedoria em mim. Quando questiono minhas habilidades para lidar com os que me rodeiam permito que Jesus tome o rumo de meu comportamento com os mesmos. Se nego meu saber tão transitório e insípido em detrimento do supremo conhecimento de Cristo se fazendo presente em mim, em nós, então a inteligência passa de um mero substantivo para a profundidade gloriosa da sabedoria de Jesus, atuante. 
  Quando duvido de mim tenho certeza em Cristo.

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